terça-feira, 31 de julho de 2012

Capítulo Especial: meu Irmão.

Sei que as postagens não estão seguindo uma ordem cronológica, porém, meu objetivo é chegar até os dias atuais, demonstrando algumas etapas de minha vida e os fatos mais relevantes relativos a estes períodos, sem a preocupação de datá-los com precisão.


Sempre darei ênfase aos temas centrais. Algumas postagens trarão um maior número de detalhes, outras nem tanto.

Pois bem, seguindo esta linha de raciocínio, vou destacar como um capítulo especial em minha vida, o meu irmão.
Amanhecer
Já contei anteriormente qual a minha primeira lembrança. Desde lá muito mudou em nossas vidas. Muitos anos passaram.


Fica complicado falar sobre uma vida de relacionamentos em algumas palavras. Durante nossa infância, fomos amigos e companheiros inseparáveis. Hoje continuamos amigos, mas não estamos tão próximos assim. 
No começo eram as brincadeiras e brigas. Brigávamos bastante. Na verdade o maior motivador destas brigas era o meu ciúme. Ele por ser mais novo recebia mais atenção, não poderia ser diferente. Eu nunca perdi meu espaço, mas sentia ciúmes, como explicar isto para uma criança?

Brincávamos das mais variadas brincadeiras. Eu sempre gostei de jogar bola, andar de bicicleta, brincar com meus carrinhos além de desenhar e pintar. Ele gostava de música, de carrinho, andar de bicicleta e de desmontar as coisas para ver por dentro.

"Desmontei, montei e ainda sobrou peça", dizia ele cheio de alegria. O interessante é que muitas vezes ele abria o brinquedo e mesmo depois de montado não funcionava mais, pelo menos da forma original o que não impedia ele de brincar assim mesmo, dando outras funções para cada peça.

Meu irmão sempre foi muito inteligente.

Aprendeu a ler antes de ir para a escola, eu o ajudei. Ele aprendeu muito mais pela capacidade e vontade própria, do que pela qualidade das minhas aulas. Na verdade o maior motivador foi o fato dele não querer mais ser "passado para trás" por mim. Cansou de me ver escrever coisas que obviamente ele não entendia, e ter de acreditar na minha explicação. Esforçou-se e entrou na escola lendo a lista dos materiais.

Dividíamos tudo. Alguns poucos brinquedos eram somente meus ou dele. Dormíamos cada um na sua cama, mas no mesmo quarto, lado a lado. Durante um bom tempo, estudamos no mesmo período, e no período livre, passávamos horas aprontando de tudo.

Depois de crescermos um pouco, as brigas pararam fortalecemos ainda mais nossa amizade.

Quando chegamos à Florianópolis, as pessoas não conseguiam entender como conseguíamos conversar por tanto tempo sobre tantos assuntos. Eu esperava ele chegar do trabalho, e íamos conversando até de manhã.

Desde muito novo, diferente de mim, meu irmão trabalhou. Isto teve um lado ruim, devido aos horários de trabalho ele abriu mão dos estudos, antes de concluir o segundo grau técnico que havia iniciado, na mesma ETFSC em que me formei, porém em outro curso.

Em algum momento de sua carreira meu irmão tinha de viajar de madrugada para a produção dos programas de TV dos quais ele era um dos responsáveis. Sempre fiz questão de arrumar o café para ele tomar antes de sair, e alguma coisa para ele levar para o lanche. Isto não começou aqui.

Na verdade este foi um dos meus maiores erros em relação a ele.

Agora percebo que fazendo da forma que fiz, prejudiquei meu irmão. Quando meus pais se separaram, eu assumi como responsabilidade cuidar dele. Um papel que eu não soube cumprir.

Um papel que não cabia a mim. Errei tentando acertar, afinal eu não tinha a menor noção de como fazer diferente. Havia a necessidade de cuidarmos um do outro e eu sendo o mais velho, quis fazer o melhor possível.

Errei.

Depois Deus me concedeu um presente de valor incalculável e eu conheci minha esposa. Namoramos por pouco tempo, fomos morar juntos e casamos. Tudo em praticamente seis meses. E eu então saio de casa, como minha mãe dizia, "os filhos criam asas e voam".

Nunca deixei de pensar nele ou de amá-lo em nenhum dia de minha vida, minha esposa é prova, mas agora eu tinha uma família se iniciando, outra vida e nos afastamos um pouco.

Logo após casar, nos mudamos de cidade, ai nos afastamos um pouco mais. 

Minha mãe que já estava doente quando eu conheci minha esposa, e passando pela primeira cirurgia, piorou muito depois que me mudei.

Meu irmão aguentou uma barra muito pesada. Eu agora já tinha emprego e filha, não seria simples voltar a morar com ele. Também não vejo no que minha presença teria mudado o rumo das coisas. Muitas idas e vindas com a mãe para o hospital, até que ela veio a falecer. Não quero agora detalhar isto, vou fazer em outra postagem.

Não estive com ele no retorno para casa, depois do falecimento da mãe. Não sei como ele passou por isto tudo.

O que eu preciso dizer é que durante todo este período, que foi duríssimo para nós todos e principalmente para ele estando diretamente convivendo com a mãe eu nunca deixei de orar e pensar nele.

Hoje quero aqui pedir perdão. Desculpar-me com meu irmão. Por estar mais ausente do que deveria, por querer tanto que nada viesse a lhe atingir, protegendo-o de tal forma que o tenha deixado despreparado para algumas situações da vida.

Espero que ainda haja tempo para obter este perdão.

Também preciso agradecer.

Se não fosse pela atitude dele em me desobedecer, eu hoje não estaria aqui escrevendo este post.

Eu ainda era uma criança de 7 anos (acho) e um dia comecei a fazer um xixi preto. Quando ele viu ficou apavorado e eu disse que era por ter tomado muito refrigerante e que não contasse para ninguém.

Graças a Deus ele me desobedeceu. Foi correndo falar para mãe. Ela ficou muito brava comigo e me levou correndo ao médico, que constatou uma séria infecção nos rins, que certamente me levaria à morte.

Te devo minha vida. Não sei se vou conseguir pagar.
Estou e continuarei orando por ti e pronto para te ajudar.
Te amo.

2 comentários:

Anônimo disse...

SEM PALAVRAS, OBRIGADO POR TUDO. TE AMO!
Bruno Cesar Mazzochi, teu irmão. Se pede perdão, então claro que te perdôo. Embora também não tenho como pagar a minha dívida com você. Você sabe também o quanto desejei pra ti a esposa e família que hoje tem, bem como meio sem jeito, fiz algumas pouquíssimas orações em casa (Natal) eu tu e a mãe.

Mateus Emilio Mazzochi disse...

Oi Bruno. Se, repito, Se tinhas alguma dívida comigo, está zerada.
Na verdade não tenho como expressar a nossa relação em palavras, neste blog ou em muitos outros, pois passamos por tantas coisas juntos...
Obrigado por tudo.
Um grande abraço, fique com Deus. Te amo.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...