segunda-feira, 9 de julho de 2012

Como Saber de que Forma Acertar?


Dando sequencia aos acontecimentos, quero detalhar agora, como nos encaixamos numa nova realidade, afinal, nossa família passou a ser eu, minha mãe e meu irmão. Na minha visão, a partir da separação de meus pais, parte da responsabilidade de cuidar de meu irmão, recaiu sobre mim. Hoje, olhando para aquele período, passo a entender que errei bastante em muitas situações. Mas a grande pergunta é: como saber de que forma acertar?
Analisando as coisas mais calmamente e após tantos anos, pude verificar que enquanto se está vivendo um período de turbulência, a grande dificuldade é olhar ao redor e achar outra solução. Pelo menos enquanto se tem nove ou dez anos.

Vida em apartamento.

No primeiro momento passamos a morar em um apartamento localizado na mesma quadra de onde morávamos. Conseguimos nos manter na mesma escola, até íamos a pé, pois estudávamos no mesmo período. Já minha mãe, passou a trabalhar em período integral, dando aulas em duas escolas, uma estadual e outra municipal. Interessante é que nesta época eu e meu irmão paramos de brigar tanto, por estarmos mais velhos, e começamos a cultivar uma amizade mais profunda. Nós dois juntos éramos a maioria, quando estávamos com nosso grupo de amigos.
A vida mudou bastante. Aqueles meninos acostumados a brincar no pátio de casa, com bola, bicicleta, água, cachorro, passaram a se sentir confinados, na vida em apartamento. Nada de barulho, nada de correria dentro de casa, dormir mais cedo, brincar na rua não era tão seguro quanto o pátio de casa, novos vizinhos, muitas novas regras.
Por muitas vezes ouvi minha mãe reclamar, e com razão, sobre a falta de organização das minhas coisas, eu tinha meio dia livre e não aproveitava nada deste horário para arrumar o quarto. Estava sempre pensando em alguma outra coisa, sempre mexendo em tudo, só que isso sempre trazia mais um pouco de bagunça.
Foi aqui também que minha mãe começou uma amizade com uma vizinha do apartamento de cima, que despertou o seu interesse em mudar-se para Santa Catarina, mais precisamente Floripa.
Ali minha mãe se achou. Passou a conviver com mais amigas, com certeza as dores e lembranças do casamento recém-terminado ainda estavam em sua mente, mas agora ela tinha com quem dividir, sempre havia convites para jantas e outros eventos. Praticamente todos os finais de semana passaram a ser ocupados.
E isso era excelente nesta nova fase da vida dela, e fez com que tudo passasse a ser menos complicado, nada era tão denso mais, a não ser a preocupação que ela tinha conosco.
Não tenho nenhuma recordação de minha mãe chorando, sempre sorrindo e feliz.
Para nós foi esse tempo trouxe algo bom. Essa amiga que também era separada tinha um filho e com ele nós achamos uma referência de como, um filho de pais separados, se porta diante do distanciamento do pai, as mudanças da vida, como assimilar os duros golpes que a vida dá nas pessoas.
Tanto para esse amigo, quanto para mim e meu irmão, a vida não era um desafio invencível, nem a nossa situação era algo que nos preocupava. Geralmente respondíamos a quem perguntasse que nossos pais eram separados, e morávamos com a mãe.
Simples.

Preocupação de mãe. Filhos em primeiro lugar.

A grande preocupação de minha mãe era de que eu e meu irmão, apesar de tudo, não nos distanciássemos do pai. Isso foi sempre um grande desafio para ela. Muitas barreiras nós dois criávamos, e o nosso relacionamento com o pai, era pior do que o idealizado por ela.
Nunca, repito NUNCA ela nos jogou contra o pai, ou o colocou como culpado pela situação, nenhuma palavra dela sobre a sua decisão, a sua vida anterior, nada sobre como era o casamento, nada. Por isso não vou ficar aqui tentando inventar, afinal, o meu propósito é expor o que eu vivi, e não o que supostamente ocasionou a separação dos meus pais.

Esclarecimento.

Tenho que, para melhor esclarecimento, dar uma pausa para mostrar um fato importante.
Minha mãe já havia resolvido separar-se muito antes da data em que oficializou a decisão.
Pelo que nos contava ela resolveu pela separação quando eu ainda era pequeno, muito pequeno.
Como, em seus pensamentos, seria muito difícil para que um único filho aguentasse uma vida tão sozinha, e sem a presença do pai, decidiu ter mais um filho.
Com o passar dos anos, começou a ver que dois filhos, sendo ainda muito pequenos, tornariam a sua tarefa complicada, já estando separada. Decidiu então que esperaria meu irmão estar com seis, quase sete, anos para enfim separar-se.
E assim foi. Eu e meu irmão fomos companheiros por muitos e muitos anos, sendo só nós dois por vários anos. O que não impediu que mais tarde nos afastássemos um pouco, mas isso já é outra história.
Vou ter de continuar em outro post, este ficou muito extenso. Na sequencia, contarei mais sobre um grande sonho realizado. Até a próxima.

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