sexta-feira, 6 de julho de 2012

Em 1986, A BOMBA.


Recomeço
Recomeçando...
O ano era 1986, para mim, então com nove anos, 
tudo corria normalmente. Normalmente na visão de uma criança, bem explicado.

Baque

Tudo começou a mudar num dia normal,
enquanto estávamos caminhando pela cidade, e minha mãe comentou que estava procurando outra casa ou apartamento para morarmos. Até aí tudo certo, afinal, não seria a primeira vez que nos mudaríamos.
O que ficou parecendo estranho para mim foi o fato de que vimos um apartamento, que não possuía garagem, e ao questionar onde o pai guardaria o carro, ela respondeu que não seria preciso, pois o pai não iria morar conosco.
Ainda assim eu não entendi muito bem a situação.

Mudanças 

A partir disso, percebi algumas alterações na rotina da casa, cada dia mais, minha mãe procurava imóveis nos classificados, e a noite, perguntava: "onde fica bairro tal? E esse bairro onde é, será que é bom lá?" e assim fomos por algum tempo.
Eu dificilmente levantava durante a noite para ir ao banheiro, mas numa noite qualquer, ao levantar, passei na porta do quartinho que ficava próximo ao banheiro, e o meu susto ao perceber que alguém estava dormindo ali. Fiquei meio que congelado, parado na porta do quarto, tentando reconhecer quem poderia estar ali, não consegui.
Minha surpresa veio na manhã do outro dia, quando minha mãe relatou que me viu na porta do quarto, durante a noite, mas não quis falar nada para não me assustar mais ainda.

Como imaginar 

Agora pensando mais sobre o assunto, e esclarecendo a situação: de que forma eu poderia imaginar, como entender o que estava ocorrendo?
Nunca em momento algum, eu percebi, ou presenciamos alguma briga ou discussão entre meus pais.
Nenhuma indicação, sem indícios, nenhuma conversa, nada no ar, simplesmente, uma noite, vejo que minha mãe não está no mesmo quarto que meu pai. Não sei dizer a quanto tempo isso poderia estar acontecendo, ou por quanto tempo pode ter continuado, após eu ter descoberto.

Processo iniciado

Bom, vou relatar o que lembro datas e outras tantas coisas, o tempo foi levando, e até é melhor assim.
O que lembro bem é que neste período de transição, ocorreram muitas mudanças, incluindo mudança de casa e de escola, novos horários com dias marcados para o ver o pai, novas rotinas dentro de casa, o que fez com que eu pela primeira vez em minha vida, ficasse em recuperação (exame) em duas disciplinas, matemática e ciências. Algo impensável para mim, filho de professora, e com um histórico, no mínimo, muito bom.
Meu irmão chorava bastante, me lembro. 
Eu, fui criado mais no tipo "homem não chora", preferia chorar a noite, abafando com o travesseiro. Não foi fácil, podem imaginar. 

Negativo

O lado mais negativo disso tudo, foi ter dias marcados para visitas. Durante a semana eram as quartas-feiras, além de um fim de semana no mês. Sempre havia a necessidade de fazer uma malinha com as coisas para irmos até a casa do pai, e invariavelmente, esquecíamo-nos de algo.
Difícil, também, foi conciliar as tarefas da aula. Muitas vezes, ficavam para trás. As quintas-feiras tornaram-se os piores dias para mim na escola. Na maioria das vezes, almoçávamos correndo, em algum restaurante, pois meu pai saia para trabalhar cedo, e eu e o meu irmão, ficávamos dormindo.
Quando meu pai aparecia, ou alguém a pedido dele, para nos levar para o almoço, era aquela correria, acordar, juntar as coisas (sempre alguma coisa era esquecida), e ir correndo almoçar para chegar já atrasados e para a segunda aula.
Só não reprovamos por faltas, pois as professoras da primeira aula de quinta-feira foram muito pacientes e estavam cientes de nossa situação.
Além disso, ambos, minha mãe e meu pai, começaram a "namorar" outras pessoas.
O dia em que vimos, pela primeira vez, a nova namorada do pai, não sei o que dizer. E para contar isso para a mãe então... Para nós parecia uma traição. Nada agradável.
Enfim, nada contra as pessoas envolvidas, depois essa namorada do meu pai tornou-se a mãe de seu terceiro filho, como disse anteriormente, vou relatar essa situação num tópico a parte. 
Minha mãe teve alguns relacionamentos, mas foram tão discretamente conduzidos, que eu não posso relatar nada.

Positivo 

Nesse período, realizamos algumas excursões com minha mãe e suas amigas da escola. Isso foi bem interessante.
Visitamos: Vila Velha, Furnas, Lagoa Dourada, Ilha do Mel, Curitiba. Fomos até Paranaguá de Trem, passamos por Matinhos, Caiobá, um lindo passeio.
Logo em seguida, não sei quanto tempo depois, viajamos com o mesmo grupo, para Rio Grande, no RS, onde passeamos de barco pela Lagoa dos Patos, fomos ao porto, visitamos Pelotas e as fábricas de doces, mas este passeio não foi tão agradável, devido ao clima da região na época, muito frio, chuva e vento, mas valeu.
Para nós era só alegria. 
Com o pai também saímos algumas vezes, mas sempre nas proximidades e com a namorada dele, o que na época, não era nada divertido para nós. 

Recomeçando

Provavelmente, passamos a pensar que as coisas melhoraram. Mas não foi bem assim. Todos nós tivemos de recomeçar.
Meu pai ficou quase sem nada de casa, teve de ir comprando tudo. Minha mãe ficou com dois filhos relativamente pequenos para criar sozinha.
Eu e meu irmão, ficamos com sentimentos confusos e com o coração dividido.
Meu irmão queria passar a assinar seu nome com o sobrenome de solteiro de minha mãe. Ficávamos um período do dia só nós dois, e o outro na escola. Nesse período em que estávamos sozinhos, aprontávamos de tudo, e graças a Deus, não caímos em coisas erradas, apesar de certas companhias.
À noite e finais de semana que ficávamos com a mãe, tínhamos que dividi-la com as suas tarefas e preparação das aulas para a semana, diários de classe e estas coisas.

Finalizando, nos próximos posts, vou descrever melhor como foi passar a ficar só com a mãe e nossa mudança de estado... Até breve.

4 comentários:

Anônimo disse...

Nossa hoje entendo certas coisas que não entendia. Bruno César Mazzochi.

Mateus Emilio Mazzochi disse...

Pois é meu irmão, só olhando para trás para compreendermos o agora. Enfim estamos ai. Obrigado por ter lido e principalmente, por ter passado por tanta coisa junto comigo. Um grande abraço.

Anônimo disse...

Passamos tantas coisas, enfim tudo muito intenso. Tanto as boas, maravilhosas quanto as ruins, muito difíceis. Grande Abraço.

Mateus Emilio Mazzochi disse...

Outro grande abraço para você meu irmão. Momentos dificeis sim, mas passamos e estamos ai seguindo em frente e aprendendo a levantar depois de cada tombo, graças a Deus.

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