quarta-feira, 25 de julho de 2012

Estágio



Formatura ETFSC 05/09/96
Convite Formatura
Durante este período em que estive na ETFSC, surgiu a necessidade de estágio curricular. Para quem como eu nunca havia trabalhado na vida, um estágio seria uma oportunidade impar, pela importância tanto na vida profissional tanto na pessoal.

O lado não tão agradável seria o fato de ter de me mudar, pois não havia vagas na região metropolitana de Floripa na época, em minha especialização.

Esta mudança estava sendo um tanto quanto interessante para mim. 
Em meus pensamentos tudo sairia muito bem, nada daria errado e eu definitivamente entraria no mercado de trabalho pela porta da frente. Bom não foi bem assim, mas também não foi de todo ruim.

        O Início

O começo se deu nas muitas visitas que a nossa turma fez a empresas das mais diversas áreas, vou citar as que lembro: Bunge Alimentos, em Gaspar, Fiação Carlos Renaux em Brusque, Cipla, Motobombas Schneider, Embraco e Multibrás em Joinville. Tanto a Embraco quanto a Multibrás aproveitaram nossa presença para que fizéssemos entrevistas para vagas de estágio. 
Minha primeira experiência, primeira entrevista de emprego. Primeira vitória no campo profissional. Fui aprovado para uma das três vagas abertas na Multibrás. Passaria a atuar como estagiário do departamento de engenharia de produtos, no setor de produtos em linha. Que benção. 

        Contando a Novidade

Ao chegar em casa, no momento de contar as novas foi um misto de euforia e preocupação. Afinal pela primeira vez eu estaria longe de minha mãe.

        Procurando Casa...

Algum tempo depois de termos sido aprovados, eu e mais cinco colegas três para Multibrás e três para Embraco, fomos até Joinville para fechar algum contrato de aluguel. 
Sem conhecer nada de Joinville, sem carro, sem dinheiro, sem noção nenhuma de nada, caminhamos muito nas proximidades, na verdade nem sei se conseguimos ver a casa na qual fomos morar posteriormente, mas no final, achamos uma casa grande o suficiente, com três quartos e razoavelmente próxima da empresa, e num local servido com o ônibus fretado que nos levaria até o trabalho.
A casa nem de longe se parecia com uma mansão, mas dava pro gasto. A medida que íamos trazendo nossas coisas, todo o resto ficava mais fácil de aguentar.

        Primeiro Embarque 

Na verdade não esperava esta reação dela, mas na primeira vez em que embarquei no ônibus com destino a Joinville, cheio de malas e com a cabeça cheia de projetos, na despedida minha mãe chorou. Na minha cabeça era só uma temporada de no máximo seis meses de estágio. Mas eu iria no domingo e voltaria na sexta para Floripa. Mas quem explica isso para uma mãe, ela disse na ocasião: chega um dia que os filhos criam asas e voam.
Nesta primeira ida, fomos cinco no mesmo ônibus, um de meus colegas seguiu de carro com seus irmãos levando uma verdadeira mudança. Chegamos por lá ainda de dia propositalmente para que pudéssemos ajeitar as coisas e dar uma "limpada" na casa. Acredito que em seis meses foi a única vez que a casa sofreu uma faxina. 

        A Chegada

A primeira impressão é a que fica então fiquei com uma impressão péssima. Por estar a tanto tempo fechada, além de ser bem velha, fiquei no quarto da frente, o que não era vantagem nenhuma, afinal a rua sem calçamento só fazia entrar mais poeira no quarto.
Para completar não lembro se faltou água ou não achamos o registro e no dia seguinte, nada. Como trabalhávamos em horários diferentes, quem ficou por casa no dia seguinte arrumou o problema da água. Só faltava agora solucionar a cachoeira que inundou a sala. Um cano que servia de ladrão para caixa d'água, estava aberto e dentro da sala.

       O Primeiro Dia

No primeiro dia, fomos a pé até o trabalho. Caminhamos por volta de 15 minutos. Foi o suficiente para não querermos mais. Já tratamos de descobrir onde era o ponto e qual o horário do ônibus.
No local de trabalho, fiquei impressionado. Um lugar amplo, muito bem organizado, limpo iluminado, com acabamento de alto nível, afinal, o nosso departamento era na administração, de onde conseguíamos visualizar as duas fábricas. Ar condicionado de primeira, colegas de alto nível, muito melhor do que eu poderia imaginar.
Na primeira semana, como sempre ocorre em mudanças, não achávamos nada em casa. A volta do primeiro dia para casa também foi a pé, mas ai foi mais fácil, passamos no mercado para comprar algo para comer, algo pronto, afinal não havia fogão na casa, e mesmo depois da aquisição de um usado, ninguém cozinhava. E se alguém fazia alguma coisa, ninguém queria limpar.

        O Convívio

Nunca fui bom em fazer amizades, mas também não sou de difícil convivência. Ali morávamos em seis pessoas. Por perfil posso definir assim: um evangélico ainda não muito bem convertido, dois usuários de drogas do tipo "só socialmente", um filho de papai e outro mais ligado a esportes e que não esquentava a cabeça com nada. Com este último dividi o quarto. Sobre mim quem acompanha o blog, pode traçar meu perfil.
Nada era fácil. Banho, alimentação, telefone celular, tudo tinha de ser combinado e dividido, o que nunca deu certo. As escalas de faxina, arrumação e cozinha, nunca foram respeitadas, fazendo com que o banheiro, por exemplo, durante os seis meses não foi limpo nenhuma vez. O fogão usado que adquirimos, foi utilizado e jogado fora, juntamente com algumas panelas que igualmente não foram lavadas. 
Mas o pior não era isto. Um dos colegas utilizava drogas dentro de casa e o cheiro terrível da fumaça ficou de tal forma impregnado em tudo que joguei no lixo uma muda de roupas.
Eu não tinha noção do projeto de Deus em minha vida, mas já na época, sem ao menos eu ter tido qualquer contato com o Evangelho, eu perguntei a este meu colega o porquê dele utilizar as drogas. Ele me respondeu que era para não ficar triste devido à distância dos pais e da casa, e para amenizar a solidão que ele sentia. Ai eu respondi a ele que quando ele precisasse, sempre que sentisse a falta de alguém ou qualquer tipo de tristeza, eu estava ali para conversar, e citei os outros também, que sempre estaríamos por perto para ouvi-lo. O resultado foi médio, pelo menos dentro de casa ele não usou mais, apesar de ter continuado usuário.

        O Estágio

Posso dizer hoje que meu estágio poderia ter sido melhor aproveitado. Eu então com 19 anos acreditava que estava fazendo demais por ser um estágio. Não era verdade. Acabei me deixando influenciar pelas companhias, fui sendo levado como uma folha seca pelo vento e não dei a devida importância, e a prioridade correta para este período de minha vida. 
Hoje eu tenho certeza que não seria a melhor opção para minha vida ter permanecido por lá como funcionário efetivo. Mas eu poderia sim ter realizado mais e aprendido mais. Enfim, hoje sei que Deus me queria onde estou, mas na época eu não tinha esta noção, esta visão. E por alguns anos após este estágio eu me culpei e me senti frustrado.
Hoje não.
Olho para esta época e vejo as muitas coisas que fiz e até me admiro e penso: "mas fui eu mesmo?".
Fiquei doente, perdi quase um mês do meu estágio já quase no final, faltei há um dia por pura negligência e recebi o que foi durante muitos anos de minha vida o maior e o mais profissional puxão de orelha de minha vida. Aprendi muito com isto.
E assim foi durante os seis longos meses que fiquei em Joinville. 
Após o fim do meu estágio, segui em frente, agora carregando nas costas o peso de encontrar um emprego. Não foi fácil como pensei, mas conto isto em outra postagem. 
Mas antes vou tratar de um capítulo especial e ao mesmo tempo bem complexo e dolorido de minha vida.

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