terça-feira, 31 de julho de 2012

Seguindo em frente. Mais uma etapa.


Enquanto estive em Joinville imaginei que seria efetivado ao concluir o estágio, não aconteceu.
Pensei que estivesse desempenhando um belíssimo trabalho, não foi tão belo assim. Confesso que na época me decepcionei com a mecânica, com o curso, coloquei sempre a culpa em várias coisas exceto na única "coisa" no real motivo pelo qual não permaneci na empresa dando inicio em minha carreira: eu mesmo. Percebi então quanto poderia ter tratado tudo mais profissionalmente.
Ao passar este período, insisti mais um pouco em atuar na mesma área, sem sucesso. Agora recebia pressão de minha mãe, afinal, eu já não era mais criança, estava formado, e havia concluído um estágio, isto deveria valer para alguma coisa, dizia ela.
Prestei um único concurso vestibular. Não fui aprovado.
Não tentei mais, não estudei mais. Ainda não havia aprendido a não desistir das coisas. Cai numa perigosa zona de conforto, onde o que me importava era realizar pequenas atividades domésticas para auxiliar minha mãe, não procurava nada, nem me especializar. Isto posteriormente demonstrou-se ter sido meu principal erro.
Comecei timidamente a distribuir currículos em empresas da grande Florianópolis, e por intermédio de meu padrasto, também em Brusque.
Não recordo a data correta, mas em torno do meio do ano, após um longo período só por casa, recebi um telefonema para realizar uma entrevista, numa fábrica de molas em Brusque.
Fiz a entrevista, fiquei confiante, visitei a fábrica e fiquei sabendo qual seria minha principal tarefa caso fosse contratado: adequar a empresa às normas de qualidade, visando certificação ISO 9000 (na época).
Uma semana depois, nova ligação agora para marcarmos a data do meu início. Aí foi só alegria, todo mundo comemorando, imaginando "agora vai".
Tínhamos um plano todo bem montado, ficaria com o carro a disposição, iria para Brusque no domingo à noite e retornaria na sexta à tarde, moraria numa quitinete que meu padrasto comprou, almoçaria em casa comprando marmitas de uma vizinha dona de restaurante.  Comprei celular, algo muito nobre e caro na época, pois meu salário não seria dos piores.
Perfeito no papel.
Nos primeiros dias, tudo tranquilo. Cheguei à fábrica como O Técnico. Passei a conversar com as pessoas, ver as máquinas, o que era produzido, quais as preocupações com relação à qualidade, conheci o dono da empresa, ouvi dele a  obsessão que tinha pela qualidade das molas. Trabalhar de verdade só na segunda semana. Montei um computador, verifiquei os desenhos dos produtos, analisei muitos dados.
Mas fiquei bem aquém daquilo que tinham como o ideal para um técnico na minha função. Passei a exercer algumas funções operacionais por conta. Não estava preparado para isso. Não me senti a vontade com a função, com o ambiente de fábrica. O que tinha de acontecer foi o que aconteceu: findado os três meses da experiência, meu contrato não foi renovado.
Sempre em frenteRecebi minha demissão. Acertei a papelada na segunda e voltei para casa. Dar a noticia foi a horrível. Responder a mesma pergunta, "mas o que houve?" diversas vezes também foi ruim. Eu mesmo agora passei a exercer cobrança sobre mim. Será que nada daria certo para mim, pensava.
Caí novamente naquela zona de conforto. Só que agora, não estava mais tranquilo. Andava sempre angustiado, passei a fumar e beber descontroladamente. Tomei um susto quando soube que meu irmão também fumava, talvez tenha começado antes de mim até.
Toquei as coisas assim por um tempo. Não queria nada. Passava o dia dormindo, e a noite acordado. Não sentia a obrigação de estudar, queria, mas não conseguia, eu não possuía disciplina suficiente para isto.
Minha vida social se resumia em locar algum filme e assistir às vezes sozinho outras vezes com meu irmão. Só.
Eu não sabia, mas algo maravilhoso estava para acontecer em minha vida.

Nenhum comentário:

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...