quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Chegou a hora de trabalhar


Depois das duas tentativas frustradas em conseguir um trabalho, enfim, consegui.
Num dia normal, passei numa das lojas de uma rede de supermercados, e lá preenchi uma ficha, após minha mãe ter ficado sabendo da existência de uma vaga. Bom a princípio não seria nada de extraordinário, afinal, eu preenchi uma ficha para vaga de repositor.
Trabalhar em supermercado, sendo formado em mecânica? Acabei desistindo de procurar emprego em minha área, e fiquei do mesmo jeito de antes, só por casa, desanimado, pensando que estudei para nada.

Hora de trabalharPreenchi a ficha sem muita pretensão, estava esperançoso é verdade, mas tinha quase certeza que não me chamariam. Chamaram.
A princípio para uma entrevista na própria loja, eu fui. Pelo jeito gostaram, pois me pediram para ir até a uma loja mais central, onde funcionava o departamento de RH, setor de recrutamento e seleção. No dia seguinte eu estava lá cedo, e passei então a aguardar. Por algum tempo fiquei ali pensando o que viria pela frente, e só respondia aos que me perguntavam que estava ali para fazer o teste para uma vaga de repositor da loja do meu bairro.
A psicóloga chegou e aplicou um teste em duas partes, uma de cálculos e outra de lógica. Na verdade foi um teste bem extenso e cansativo. Logo após o final do teste, pediram que eu aguardasse mais um pouco.
Quando a psicóloga me chamou na sala, disse que eu não poderia ser repositor, e gostaria de saber eu aceitaria uma vaga no caixa, em outra loja em um bairro próximo de onde eu morava.
Eu aceitei e ela então ligou para o gerente verificando a possibilidade de um homem estar no caixa, afinal, até aquele dia não havia nenhum nesta função. Ele aceitou. A única restrição foi que eu teria de raspar meu cavanhaque de 5 anos, aceitei, e quase não me reconheci depois.
Fui encaminhado diretamente para a sede onde estava localizado o departamento de pessoal, onde assinariam minha carteira. Sai de lá sabendo somente que deveria me apresentar na loja, já com os uniformes que me entregaram e lá então saberia os detalhes. Feliz da vida.
Para mim algo que parecia tão complicado para tantos, foi muito tranquilo.
Hoje eu vejo bem declaradamente o plano de Deus em tudo em minha vida, desde o principio. Nenhuma porta se abriu em minha vida, sem ser a plena vontade Dele. Aqui passei 4 anos maravilhosos de minha vida. Aprendi bastante sobre trabalho em equipe, sobre liderança, disciplina, criatividade, cooperação, compromisso, dedicação, comunicação, principalmente com o meu primeiro gerente, uma pessoa fantástica.
Mas o principal: aqui conheci a pessoa mais importante da minha vida, a garota tímida que entrou caixa e se tornou minha linda e abençoada esposa (detalho esta parte numa postagem especial).
O salário nunca foi excelente, mas para mim, que ainda era um jovem, sem família, que morava com a mãe, estava ótimo. Eu sempre pagava umas quebrinhas de caixa, mas com o que recebia sempre fazia minhas coisas. Agora o difícil era arrumar tempo para gastar meus trocos, afinal nestes quatro anos nunca faltei ou me atrasei para o serviço, disto nunca abri mão, meu compromisso. 
Também não posso dizer que sempre foram as mil maravilhas trabalhar ali, mas nunca desisti.
Meu primeiro gerente saiu da empresa e montou o seu próprio negócio, passei então a ficar me sentindo um pouco órfão. Mas antes de deixar a empresa, me indicou para ser um fiscal de caixa, uma posição um pouco melhor, minha primeira promoção. Ganhava pouca coisa a mais, mas tinha um pouco mais de responsabilidade e também notoriedade por parte da direção e gerência. Quando me perguntaram aceitei na hora. Detalhe e tinha seis meses de empresa.
Mais uma vez a mão de Deus. Fui informado que eu iria para uma loja muito longe de casa. Não cheguei a trabalhar lá nem um segundo.
A unidade para a qual eu preenchi minha ficha havia passado por um problema que não lembro qual foi, e por decisão da diretoria tanto gerencia quanto fiscais de caixa deveriam ser substituídos. Qual a primeira opção então? Eu, que morava na mesma quadra da loja. 
Assumi minha vaga junto com meu novo gerente e formamos uma nova equipe de caixas (aqui minha esposa entrou em cena). Uma belíssima equipe, diga-se de passagem. Nesta nova posição, pude exercer muitas qualidades. Elaborei uma grande quantidade de relatórios e padrões de controle, fiquei muito satisfeito com o resultado de meu trabalho. Acredito que a empresa também gostou, pois fui um dos primeiros a ser chamado para um programa de treinamentos para novos gerentes.
Sentia-me gratificado. Algumas das técnicas de gerenciamento de produção e projetos que aprendi, com pequenas alterações foram colocadas em prática com êxito no supermercado. As metodologias de motivação de equipe funcionavam muitíssimo bem.
Em todos os momentos nossa equipe era referencia para a rede. As vendas aumentavam significativamente mês a mês. Fiz meu melhor. Não tenho queixas. Nem sinto saudades mais, mas confesso que por alguns anos senti.
Como afirmei antes, de lá trouxe o que havia de mais precioso, minha amada esposa. Fica para próxima. Até lá.

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