segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Guto

Mais um daqueles golpes duríssimos a vida nos aplica: perdi meu primo Gustavo Mombach.
Crescemos juntos, pois ele nasceu um ano antes.
Durante toda nossa infância, tivemos uma grande amizade eu meu irmão Bruno o Guto e seu irmão Guigui (Guilherme).
Lembro-me de muitas coisas:

Tenho uma foto na qual minha mãe, grávida de mim, está com o Guto no colo.
Em outra, eu e ele com mais ou menos três ou cinco anos, estamos na ponta dos pés olhando pela janela da casa dos nossos avós.
Na praia, jogávamos muita bola, e ele sempre dizia, “agora vou chutar com a “canhão ota””, ou seja, sua perna esquerda. Jogava muito o Guto.
Espelhava-me nele em muitas coisas, pois como ele era mais velho um ano, eu ficava pensando, “ano que vem, eu faço isto também”. Mas eu nunca tive a mesma coragem e desenvoltura dele.
Onde ele estava cinquenta pessoas estavam com ele. Fazia amizades como ninguém.
Na praia, eu meu irmão e o Guigui, ficávamos na beirada, enquanto ele pegava sua prancha, com os cabelos loiros da parafina, e sumia mar adentro com os amigos, “depois da arrebentação é que é bom”, dizia sempre.
Mente perspicaz, inteligência rara, desenvoltura, cordialidade, simpatia, dinamismo. Tantas qualidades, que vou parar por aqui, para não esquecer nenhuma.
Quando meu avô Emilio faleceu, onde eu e meu irmão estávamos? Na casa dele, jogando videogame, enquanto toda a família estava no hospital. Ele com nove anos eu oito meu irmão com cinco e o Guigui com seis. Até que chegou a notícia do falecimento de nosso vô e então eu pedi para desligarmos o videogame e ele disse, “é verdade, vamos dormir”.
No aniversário de 80 anos da vó Assunta, ele então com 14 anos, pediu uma cerveja no almoço, sob o pretexto de que “refrigerante enferruja”. Isso na frente dos pais da vó na maior naturalidade. Entendam, não estou aprovando sua atitude, simplesmente estou relatando o que ele fez como eu via tudo isso com admiração.
Aí, a vida por circunstâncias que já relatei aqui, nos separou fisicamente. Vim morar em Floripa e desde então perdi o contato com ele e seu irmão além do restante da família.
Mas nunca me esqueci de seu exemplo.
Tanto é verdade que repetidas vezes falei para minha esposa, minha filha, meus familiares e colegas de trabalho, sobre ele. Sua determinação, sua capacidade e inteligência, a forma como ele conseguiu se formar advogado e atuar no lugar que seu pai deixou ao se aposentar na Marcopolo.
Falo muitas vezes em casa para minha filha que quando eu dormia lá na sua casa, na manhã de sábado ou domingo, antes de ir tomar café ou brincar, ele lia o jornal. Eu dizia para ele “vamos Guto, teu pai não está ai mesmo leia depois”, mas ele sempre dizia “eu tenho que ler o jornal primeiro”, normal? Não para uma criança de mais ou menos 10 anos.
Bom, não sei mais muita coisa dos últimos 10 anos sobre ele, pois o vi pessoalmente em 12/10/20o3, quando minha mãe faleceu.
Agora, me restam as doces lembranças e a saudade.
Que Deus console os corações do meu tio Dirceu Mombach, da minha Tia Carmem Mombach e de meu primo Guilherme Mombach.

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