quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Perdão e Graça


PERDÃO

INTRODUÇÃO

Só o perdão pode nos liberar da dívida que temos com Deus. Sabendo que o perdão é condicional, e que para recebê-lo precisamos primeiramente aceitar, através da graça, a salvação oferecida por Jesus. Contudo, Deus exige fé, arrependimento, confissão de fé e batismo como condições para o perdão do pecador. O perdão é também condicional para o cristão que peca. O arrependimento e a mudança de pensamento precisam ocorrer antes que o perdão divino seja estendido. Deus nos chama a perdoar assim como ele perdoa. Quando alguém peca contra mim, ele se torna um transgressor da lei de Cristo. Eu o considero um pecador. Se ele se arrepende e pede para ser perdoado, eu tenho que perdoá-lo, isto é, libertá-lo de sua culpa como transgressor. Quando eu o perdoo, não o considero mais um pecador. Posso não ser literalmente capaz de esquecer o pecado que ele cometeu mais do que Deus literalmente "esquece" nossos pecados, mas preciso deixar de atribuir a ele a culpa pelo seu pecado. Deste modo, eu o liberto de sua "dívida".


1 – ETIMOLOGIA

O termo “perdão”, em português deriva-se do vocábulo latino “perdonare”.
O dicionário Bíblico Claudionor de Andrade traz a seguinte definição para Perdão: Remissão de pena. Indulto. Meio da graça através do qual o pecador arrependido tem as suas faltas perdoadas mediante os méritos de Cristo. O perdão, sendo uma das bem-aventuranças do Evangelho (Rm 4.7), é-nos concedido através da justiça de Cristo (1Jo 1.9).
Nem sempre, porém, o perdão livra o ofensor das consequências sociais e domésticas de sua ofensa. Haja vista o caso de Davi. Embora prontamente perdoado, teve de arcar com as consequências de seu crime. A dívida do rei para com Deus foi de imediato quitada. Mas para com a sociedade, a questão era outra. Exigia pública reparação.
Ainda temos de considerar quatro palavras do hebraico e quatro do grego envolvidas com a palavra PERDÃO, segundo Champlin, a saber:
1. Salach, perdoar. Verbo hebraico usado por quarenta e seis vezes, conforme se vê, por exemplo, em Nm. 30:5,8,12; I Rs 8:30,34,35,39,50; II Cr.. 6:21,25,27,30,39; Sl. 103:3; Jr. 31:34; 36:3; Dn. 9:19; Am 7:2.
2. Sallach, perdão. Substantivo hebraico usado por uma vez: Sl. 86:5.
3. Kaphar, cobrir. Palavra hebraica usada por cerca de dez vezes com o sentido de perdoar embora seja palavra traduzida, principalmente, por expiar. Ver, por exemplo, Sl. 78:38; ler. 18:23; Dt. 21:8; IICr.. 30:18; Lev. 8:15; Ez. 45:15,17; Dn.9:24.
4. Nasa, levantar, perdoar. Palavra hebraica usada por cerca de treze vezes com o sentido de perdoar: Gn, 50:17; Êx, 10:17; 32:32; 34:7; Nm. 14:18,19; I Sm.25:28; Sl. 25:18; 85:2; Is. 2:9.
5. Apbiemi, deixar ir, perdoar. Termo grego usado por cento e quarenta e cinco vezes no NT, desde Mt. 3:15 até Ap. 11:9.
6. Âphesis, perdão. Substantivo grego empregado por dezessete vezes: Mt. 26:28; Mr. 1:4; 3:29; Lc. 1:77; 3:3; 4:18 (citando Is. 61:1); 4:18 (citando Is, 58:6); 24:7; At 2:38; 5:31; Ef. 1:7; Cl. 1:14; Hb. 9:22; 10:18.
7. Charizomai, ser gracioso com, uma palavra grega utilizada por vinte e duas vezes: Lc. 7:21,42,43; At 3:14; Rm, 8:32; I Cr. 2:12; II Cr. 2:7,10; Gl. 3:18; Ef. 4:32; Fl. 2:9; Cl. 2:13; 3:13; Fl. 22.
8. Apolúo; soltar perdoar. Verbo grego que ocorre por apenas urna vez com o claro sentido de perdoar, em Lc. 6:37. Significa em outros lugares soltar, deixar, divorciar-se, etc.

2- CARACTERÍSTICAS


Em seu DICIONÁRIO BÍBLICO de A a Z, Ítalo Fernando Brevi, descreve assim o perdão:
O poder de perdoar é um poder messiânico, pertence ao “Messias-Juiz” (Is 33,24; Jr 31,34; 33,8; Ez 16,63; 36,25-33). Está ligado ao dom do Espírito (Ez 36,27; Is 11,1-3; Jo 20,19-23).
É um poder do Filho do homem (Mt 9,3-7; Lc 7,48s; cf. Dn 7,13s).
O perdão de Deus está subordinado à fé do pecador arrependido (Mt 9,1-8; Lc 5,17-26;7,48-50; At 10,42s; 13,38; 26,18). Esta fé pode ser também a de uma comunidade (Mc 2,2-5).
O poder de perdoar dos ministros da Igreja (Mt 9,8; 16,19; 18,28; Jo 20,19-23).
Os cristãos devem ser portadores do perdão de Deus (Mt 5,23-26; 6,12-15; 18,21-25; Lc 11,4; 17,3s; 2Cor 2,5-11). Devem perdoar até aos inimigos (Eclo 28,1-7; Mt 5,44s; 6,12;18,21s.35; Lc 6,36; 17,3; Rm 12,17-19; Ef 4,32; 1Ts 5,15; 1Pd 3,9; 1Jo 2,11).

2- DEFINIÇÃO


O perdão pode ser um ato divino, que resulta no perdão do transgressor humano. Por igual modo, um ser humano pode perdoar a outro. O perdão dos pecados é uma prerrogativa divina (Sl. 130:4). Jesus Cristo recebeu o poder de perdoar da parte do Pai (Mt. 2:5). Um perdão pleno, gratuito e eterno é oferecido a todos
perdão
quantos se arrependerem e crerem no evangelho, contanto que disso resulte uma verdadeira mudança na vida e na alma, e não apenas uma profissão de fé. Ver Atos 13:38,39; I João 2:12.
Os crentes devem perdoar àqueles que os ofendem, de modo imediato, abundante, definitivo, porque esse perdão deve imitar o ato divino (Luc. 17:3,4). Isso precisa ser feito, pois, de outra forma, não podemos esperar que o Senhor nos perdoe (Mat. 6:12-15; 18:15-35). Alguns chamam isso de base legal; mas aquele que retém o ódio em seu coração está longe de ter endireitado os seus caminhos diante de Deus, e, assim, continua levando o seu pecado. Por outra parte, aquele que foi verdadeiramente regenerado possui a- atitude de perdão, como uma de suas qualidades essenciais. Se assim não for, é que aquele individuo não foi, realmente, regenerado.
O perdão é um ato da alma mediante o qual a pessoa ofendida permite que o seu ofensor fique livre, esquecendo-se então da ofensa. Deus requer, na maioria dos casos, embora nem sempre, que o ofensor se arrependa, que haja perdão e que haja reparação pelos danos causados, sempre que isso for possível, Essa é uma condição básica; mas o puro amor de Deus cobre uma multidão de pecados quando o individuo não é capaz de corrigir o erro praticado ou de restaurar o danificado (Rom, 5:5-8).
Mesmo quando essas condições não podem ser preenchidas, o perdão divino é dado somente se o indivíduo, em imitação ao Senhor, for gracioso, amoroso, disposto a perdoar a seus ofensores. Textos como os de Mal. 6:12; 18:23-35; Mar. 11:26 contêm esses ensinamentos, enfaticamente.

GRAÇA

INTRODUÇÃO

A religião da Bíblia é “ou uma religião da graça ou nada é... não havendo graça, não há evangelho”.
Partindo desta afirmação de James Moffatt (Grace in the New Testament, p.xv), vemos que a ideia de graça deve estar relacionada com a de “vida eterna”.

1 – ETIMOLOGIA

O termo “GRAÇA”, em português deriva-se do vocábulo latino “gratia” que deriva de “gratius”, tendo o sentido de “agradável”, “amável”.
No grego, a palavra usada para “graça” é “charis” envolve muitos sentidos. Significando: graciosidade, atrativos, favor, cuidados ou ajuda graciosa, boa vontade; favor divino e gratuito.
Do hebraico “hessed”.

2 – DEFINIÇÃO

A definição que encontramos no Dicionário Teológico Claudionor de Andrade é a seguinte:
Favor imerecido concedido por deus à raça humana. Através da graça, o homem é capacitado a compreender, a aceitar e a usufrir, imediatamente, dos benefícios do Plano de Salvação (Ef. 2.8,9).
O objetivo da graça é duplo: 1) Salva o homem do pecado; e 2) Restringe a ação deste, levando o homem a viver nas regiões celestiais em Cristo jesus.
A graça, segundo ensina o apóstolo Paulo, é operada mediante a fé.
Segundo RN Champlin em sua ENCICLOPÉDIA de Bíblia, Teologia e Filosofia vol. 2, GRAÇA, esclarece mais o assunto:
4. A graça opera por causa do amor de Deus e através do mesmo, mas sempre com o tempero de sua misericórdia. A graça é divina, e não tem sua origem no homem, ainda que a perversidade humana possa rejeitá-la ou anulá-la.
9. Cada passo progressivo da vida cristã se deve à graça. (Ver II Co 3.18, acerca do poder transformador do Espírito). A chamada vem pela graça (ver Gl 1.5); o arrependimento também se deve à graça (ver Ii Tm 3.5); e a própria tem origem na graça, pois também vem do Espírito (ver Ef. 2.8 e Gl 5.22);
10. A graça não elimina a obediência, mas antes, toma-a imperiosa (ver Rm. 1.5 e 6.17). A graça requer a santificação sendo a produtora desta última, porque é mediadora do poder do Espirito Santo, o qual é o agente dessas operações. A obediência e a santidade são meramente termos que apontam para a mesma realidade, a santificação mediante o que a imagem de Cristo vai sendo formada em nós. (Ver o artigo sobre a santificação);
12. ...Mas o Espírito, que nos apresenta a Deus Pai, e nos torna filhos de Deus, garante a santidade e a salvação plena;
13. A salvação, portanto, é um processo místico, produzido pelo Espírito que vem habitar nos homens e ter comunhão com eles. Esse é um produto da graça, já que a lei jamais poderia proporcionar tal coisa.
Ainda segundo Champlin, “Paulo ensinava a doutrina da graça, acompanhada pela fé salvadora (Ef. 2.8 ss)”.

3 – A MARAVILHOSA GRAÇA DE DEUS

Lançarei mão de um belo texto que ilustra e exemplifica como a graça de Deus opera em nós.
Alguns anos atrás, numa igreja na Inglaterra, o pastor notou um ex-assaltante se ajoelhando para receber a ceia do Senhor ao lado de um juiz da Suprema Corte da Inglaterra. O juiz era o mesmo que, anos antes, havia condenado o assaltante a sete anos na prisão.
Após o culto, enquanto o juiz e o pastor caminhavam juntos, o juiz perguntou, “Você viu quem estava ajoelhado ao meu lado durante a ceia?”.
 “Sim”, respondeu o pastor, “mas eu não sabia que você havia notado”.
Os dois homens caminharam em silêncio por alguns momentos. Daí o juiz disse, “Que milagre da graça!”.
O pastor concordou. “Sim, que milagre maravilhoso da graça”.
Daí o juiz perguntou, “Mas você se refere a quem?”.
O pastor respondeu “É claro, à conversão do assaltante.”.
O juiz falou “Mas eu não estava pensando nele. Estava pensando em mim mesmo.”.
“Como assim?” indagou o pastor.
O juiz respondeu, “O assaltante sabia o quanto ele precisava de Cristo para salvá-lo dos seus pecados. Mas, olhe para mim. Eu fui ensinado desde a infância a ser um cavalheiro, a cumprir a minha palavra, fazer minhas orações, ir à igreja. Eu passei por Oxford, recebi meu diploma, fui advogado e eventualmente tornei-me juiz. Pastor, nada, a não ser a graça de Deus, podia ter me levado a admitir que eu fosse um pecador igual àquele assaltante. Levou muito mais graça para me perdoar por meu orgulho, minha confiança em mim mesmo, para me levar a reconhecer que não sou melhor aos olhos de Deus do que aquele assaltante que eu mandei à prisão.”.
E que maravilha a graça é. Boas pessoas só não entram no céu porque seu orgulho as impede de chegar ao Salvador. - Steven J. Cole, Not the healthy but the sick WORLD (March 1, 1997).
Esta estória muito tem haver comigo:
·        Filho de pai advogado e mãe professora;
·    Nunca passei fome, frio, sempre tive onde morar, as minhas necessidades básicas em grande parte sempre foram atendidas;
·       Não precisei usar um chinelo de cada cor;
·       Tive acesso à pediatra e dentista;
·      Não vivi uma vida repleta de luxo e conforto, mas tive sempre uma coberta para me aquecer e uma cama para descansar;
·      De presídios só passei na porta;
·      Também não cometi nenhum crime.
Assim como o juiz relatado acima, precisei muito mais da Graça de Jesus para quebrar meu orgulho, reconhecer a minha miserável condição de pecador e me fazer entender que nada sou sem a Sua presença em minha vida.
É muito fácil e cômodo ficar sentado numa bela poltrona, falando em livre arbítrio, céu e inferno julgando aos outros através de nossa pobre percepção. Mas aceitar nossos erros, fracassos, admitir a dependência de Deus e reconhecer que não somos melhores do que ninguém isso é muito difícil.
Agradeço a Deus todos os dias de minha vida por ELE ter permitido que a Sua Graça me alcançasse, e continuo pedindo que ELE me conceda a oportunidade de continuar até o meu último dia de vida debaixo de Sua Maravilhosa Graça. Texto extraído de http://mateusemiliomazzochi.blogspot.com/2012/09/a-maravilhosa-graca-de-deus_4731.html



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