terça-feira, 22 de julho de 2014

É o Dunga Mesmo. Meus Pitacos.

É o Dunga mesmo.
Quero falar um pouco sobre a escolha do Dunga, como novo técnico da seleção brasileira de futebol.
Não sou especialista no assunto, e também não acho que o futebol deva ter um espaço tão grande em nossas vidas. Não deveria, ao menos, ser tratado com tanta paixão. Mas...
Li algumas coisas a respeito, e na maioria delas se fala que a escolha do Dunga é um retrocesso, que o futebol brasileiro precisa de renovação, que existe lá fora uma revolução acontecendo e que o Dunga é uma volta ao passado, retrógrado, militar, linha dura, grosso...
O que eu vejo em tudo isso é o seguinte: no futebol não aconteceu nada novo, desde a laranja mecânica, ou carrossel holandês de 1974. Apareceu agora o chato e insípido “tiqui-taca” espanhol, em que ninguém joga, e então, o time que toca a bola e mantém sua posse por 99% do tempo de jogo, faz um gol e fica ali tocando pra lá e pra cá.
Bom, ai vem a Alemanha e tasca 7 x 1 nos donos da casa, da Copa e do futebol. Chegou enfim a nova era do futebol, o futebol alemão. Nada disso. O que eles, os alemães fizeram, foi elevar ao cubo, ou à décima potência o chatíssimo “tiqui-taca” (que agora seria “tiken-taken”?) incluindo só algo muito familiar ao alemão: objetividade, precisão, foco total e sobretudo, treinamento.
E nisto Dunga foi muito preciso. Já morou na Alemanha e sabe que por lá, o foco é preparação, desde as categorias de base, sempre. Não começou agora. Tanto é verdade que em 18 participações em Copas, a Alemanha chegou a 13 (TREZE!) semifinais, e isso não começou com o Joachim Low.
A partir disto, o que o Dunga vai trazer de novo, para o futebol brasileiro? Trabalho. Pelo menos é o que eu espero.
Na leitura da Copa, Dunga acertou novamente quando viu (o que eu também vi) que o Chile sim, tinha time e esquema tático diferente, superior, ao demais: extremamente ofensivo e com grande entrega coletiva em marcação. E aqui esta a chave. Marcação.
O futebol é tão popular, atrativo e apaixonante por ser, em suma, simples, tem regras simples, de fácil entendimento (menos a do impedimento) e pode ser praticado em qualquer lugar, por qualquer pessoa.
É tão simples que para ganhar da Alemanha atual, é só ser mais efetivo em disciplinas táticas de marcação e ataque, onde o coletivo seja superior ao individual.
Mais um ponto para o Dunga. Não esqueço duas entrevistas, durante a Copa de 1998 onde primeiro consegue se ouvir a preleção do Dunga no túnel que leva ao gramado e que se escuta ele dizendo algo mais ou menos assim: “pra ganhar isso aqui, todos tem que dar o máximo, mesmo que tenha que ralar no chão”. Em seguida aparece o Leonardo, falando que “o bom é ver o nome brilhando, nas estrelas”.
Dois líderes, com visões antagônicas, na mesma equipe.
Dunga sempre foi adepto ao trabalho árduo, sem tréguas e capaz de uma entrega total.
Eu estou dentre os 28% que acharam a escolha dele boa para comandar a seleção.
Não estou dizendo que concordo com o que ele fala, é, pensa ou isso ou aquilo.
Concordo que ele é um bom nome para dirigir uma seleção de futebol do Brasil. E acho que vai dar resultado. Só.
O Reinaldo Azevedo que me desculpe, mas a Alemanha mudou a visibilidade de sua seleção, de broncos para queridinhos, mas dentro de campo, eles continuam praticando o mesmo jogo duro de sempre, a entrada (maldosa por sinal) do Neuer pra cima do Higuain, mostra bem o que eu estou comentando. Joelho alto bem à frente, enquanto já estava com a bola praticamente dominada, não é tão feminis assim, como fala a revista “Der Spiegel”.
Além de que tive a oportunidade de assistir a jogos da época do trabalho do Dunga na seleção como técnico, e quem quiser pode acha-los na internet também, e em nenhum momento aqueles times que ele montava, jogaram pior que a Alemanha de hoje.
O Reinaldo Azevedo, ele novamente, falou ainda, dias atrás, que o papel de um técnico é fazer com que cada um de uma equipe jogue mais no coletivo do que individualmente, ou seja, que a soma das partes seja maior do que o todo.
Resumindo, o papel do técnico é fazer com que a equipe jogue acima de suas possibilidades. E isso o Dunga fez com maestria. Dúvida? Assista ao jogo do Brasil x Holanda na Copa de 2010. Um time com Luiz Fabiano, Felipe Melo, Maicon, Michel Bastos, Gilberto, Nilmar, estava muito acima de sua capacidade, tanto tática quanto tecnicamente. E o jogo estava todo favorável ao Brasil. O que aconteceu no intervalo é a sombra. Ai está o nó que fez aquele time ficar desorientado no segundo tempo.
Para finalizar, digo que como um esporte, onde lados opostos duelam e um só sai vitorioso, em minha opinião, o fator extracampo é que faz a diferença.
O Tratamento emocional, o treinamento físico e psicológico e óbvio os engodos. A Alemanha chegou por aqui como os turistas bem intencionados politicamente corretos e ganharam a aceitação do público, se ambientaram e o que deu, nem conseguimos torcer contra eles. Nem mesmo quando jogaram contra nós. Ficamos ali embasbacados assistindo o massacre, isso é a aplicação de dois dos conceitos da “Arte da Guerra”: - É mais importante ser mais inteligente que o inimigo, e não mais poderoso e - Conheça ao seu inimigo e conheça a si mesmo, e em 100 batalhas, você nunca correrá perigo.
Os alemães se prepararam como nunca para esta Copa. E não deixaram que o Brasil sequer jogasse nos subjugaram. Usaram de artimanhas, cativaram-nos com seu jeito “muleke” de ser.
Desejo que o Dunga faça um ótimo trabalho.
Desejo mais ainda, buscar servir ao Senhor, com a mesma dedicação que os alemães apresentaram aqui no Brasil.
Desejo ainda mais ardentemente, que nós brasileiros, não dependamos somente do futebol para sermos completamente felizes.
Desejo mais impetuosamente ainda, que muitos mais venham a ter conhecimento de Jesus e experimentem a alegria que é ser dependente de Deus.
Deus abençoe.

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